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Negócio

Análise: Rali da Bolsa prossegue apesar da inflação

Redação · 11 de out. de 2026, 00:55
Análise: Rali da Bolsa prossegue apesar da inflação

Na última sexta-feira, dia 9, o Ibovespa atingia suas máximas históricas, impulsionado pela repercussão de novas pesquisas eleitorais para o segundo turno da corrida presidencial, que mostraram Flávio Bolsonaro (PL) como líder sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esse comportamento revela que o mercado continua a avaliar o cenário eleitoral, mesmo com a divulgação de dados de inflação na manhã do mesmo dia. Embora o indicador subisse de forma acentuada, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou uma alta de 0,82% em setembro, conforme informado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com a elevação significativa nos preços da energia elétrica, que aumentou devido ao término do bônus de Itaipu. Este bônus é concedido anualmente e beneficia consumidores de até 340 quilowatts, proporcionando uma redução temporária nas tarifas residenciais. Com o fim desse incentivo, os preços começaram a subir novamente em setembro. O segmento de habitação, que abrange a conta de luz, foi o principal contribuinte para a alta do IPCA, apresentando um aumento médio de quase 8% na conta de energia, o que representou um acréscimo de 0,32 ponto percentual no índice total. A categoria de transportes também teve um aumento de 0,89%, impulsionado pela elevação nos preços da gasolina, etanol e passagens aéreas. O grupo de alimentação e bebidas, que havia experimentado três meses de queda, também reverteu esse quadro, destacando-se o aumento nos preços de batata, cebola e tomate. Os nove grupos avaliados pelo IBGE mostraram crescimento no período. Mesmo com o resultado envolto em cifras inflacionárias, o mercado se mantém otimista, considerando as expectativas para 2027. A desvalorização do dólar — que caiu 0,8%, sendo cotado a R$ 4,98 — foi mencionada como um elemento crucial para a contenção da inflação e a possibilidade de novos cortes na taxa Selic. A visão do mercado é que a Selic pode ser reduzida em 0,25 ponto percentual, finalizando o ano em 13,25%. A performance positiva da bolsa também reflete os dados das pesquisas eleitorais divulgados um dia antes, que criaram uma expectativa de troca de poder e atraíram novos investimentos, resultando na queda do dólar e na valorização das ações. O volume médio de negociações na B3, que estava em R$ 18 bilhões, subiu para R$ 50 bilhões. Em apenas um único dia, as empresas na bolsa viram suas valorizações aumentar em mais de R$ 400 bilhões. Isso se deve à proposta da equipe econômica de Flávio Bolsonaro de realizar um corte de R$ 200 bilhões nos gastos públicos, correspondente a 1,5% do PIB, abrangendo a diminuição de ministérios, cargos ocupados de forma comissionada e uma reforma administrativa. A expectativa de controle fiscal levou à queda dos juros futuros. As projeções para os anos de 2028 e 2029 já sugerem juros na faixa de 12%, em comparação aos 14,5% registrados na semana que antecedeu as eleições. Contudo, o que determinará o rumo do mercado será o resultado do segundo turno, já que a expectativa de mudança de estilo econômico é o que está agitando os mercados.