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Agro

Brasil se posiciona no G20 sobre tarifas e exportações agrícolas

Redação · 28 de set. de 2026, 18:05
Brasil se posiciona no G20 sobre tarifas e exportações agrícolas

Em meio à contagem regressiva para as eleições, o Brasil participará de uma reunião do G20 do Comércio, que acontecerá nos dias 30 de setembro e 1º de outubro em Milwaukee, nos Estados Unidos. Os representantes brasileiros, o chanceler Mauro Vieira e o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, têm a intenção de contestar a postura do governo Donald Trump em relação à aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo açúcar, etanol, arroz, madeira, ovos, tabaco e uvas. A estratégia do Brasil envolve questionar a transparência das exigências americanas relativas a taxas que, segundo os EUA, são impostas por conta da produção com trabalho forçado. Nas discussões, o Brasil pretende reafirmar seu papel como um dos principais fornecedores globais de alimentos e abordar questões comerciais pertinentes, especialmente relacionadas às exportações agrícolas. Embora os produtos alvo dessas tarifas não representem uma fatia significativa do comércio bilateral — exceto pela madeira e tabaco —, as vendas brasileiras para os EUA caíram nos últimos meses. A boa notícia é que as exportações de café começaram a se recuperar desde a retirada das tarifas em agosto. No entanto, o setor cafeeiro teme que a imposição de alíquotas de 12,5% em certas categorias de produtos seja um golpe para as cadeias já restabelecidas, como as de café e carnes. O comitê do G20 deve facilitar o posicionamento do Brasil, com a possibilidade de diálogo com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos à frente do USTR, o órgão encarregado da política comercial norte-americana. Essa chance de conversa foi anunciada por Mauro Vieira em entrevista ao jornal O Globo no dia 15 de setembro e posteriormente confirmada pela comunicação oficial do governo. O Brasil já havia solicitado consultas à OMC (Organização Mundial do Comércio) em 27 de julho, e os EUA aceitaram em agosto. A primeira reunião técnica entre equipes brasileiras e americanas ocorreu na última sexta-feira (25), iniciando assim um período de 60 dias para a discussão sobre tarifas que podem chegar a 37,5%. Durante esse encontro em Genebra, a delegação brasileira fez 50 perguntas à equipe americana, que respondeu a todas, mas sem que houvesse uma decisão imediata. A relevância desse tema permanece elevada, conectado a questões geopolíticas e à segurança alimentar, especialmente no contexto da OMC. Até recentemente, o foco da OMC e do G20 estava na oferta e demanda de alimentos, mas agora, com os conflitos mundiais e mudanças climáticas, as discussões também envolvem a geopolítica. O Brasil, por sua vez, pode se beneficiar dos números das exportações, potencialmente superando os EUA em 2026/27. No ano de 2025, as exportações agrícolas brasileiras chegaram a US$ 169 bilhões, contra US$ 171 bilhões dos EUA, o que representa uma diferença de apenas US$ 2 bilhões, muito menor que os US$ 56 bilhões de 2021. Com um recorde de US$ 87 bilhões em exportações no primeiro semestre deste ano, a expectativa de liderança cresce. Isso acontece em um contexto onde a pecuária americana lida com sua pior crise de rebanho, enquanto os agricultores enfrentam desafios devido a custos elevados e dificuldades de produção. A China manifestou interesse em participar das discussões entre Brasil e EUA na OMC, argumentando que as tarifas impactam seus produtos manufaturados; entretanto, a participação da China foi rejeitada pelos Estados Unidos. O Brasil não se opôs à presença chinesa. Enquanto isso, encontros bilaterais entre Donald Trump e Xi Jinping se concentraram mais em inteligência artificial do que em questões agrícolas, e Trump mencionou que a reunião beneficiaria os agricultores americanos, sem revelar novos acordos de commodities.