Café arábica registra alta de 1% em Nova York, refletindo escassez

Na Bolsa de Nova York, os preços do café arábica apresentaram uma nova alta nesta sexta-feira (2), ampliando as recuperações das perdas do pregão anterior e mantendo a volatilidade que caracterizou o mercado nas semanas recentes. O contrato de dezembro de 2026 teve um incremento de 0,87%, ficando em 290,75 cents por libra-peso, enquanto março de 2027 subia 1,06%, negociando a 282,55 cents por libra-peso. O vencimento de maio de 2027 subiu 1,25% para 279,85 cents por libra-peso, e julho de 2027 teve um aumento de 1,28%, alcançando 277,85 cents por libra-peso.
Após um dia negativo na quinta-feira, quando o contrato de dezembro caiu 0,84%, influenciado pelo fortalecimento do dólar que levou à liquidação de posições compradas, o mercado ainda é sustentado pelas preocupações acerca das condições climáticas no Brasil e a disponibilidade global do produto. O dólar apresentou uma leve alta nessa sexta-feira, estabelecendo-se acima da marca de R$ 5,20.
"Essas oscilações de preços são um reflexo de uma série de fatores que vão além de notícias de curto prazo", commentou Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes. Ele salientou que a dinâmica do mercado de café está, há anos, muito apertada entre oferta e demanda, sem que os estoques sejam repostos de forma satisfatória.
Carvalhaes também explicou que o consumo mundial de café continua a crescer, enquanto problemas climáticos — como secas, chuvas excessivas e altas temperaturas — complicam a produção e a formação de estoques. Nesse contexto, eventos climáticos, políticos e econômicos são capazes de gerar flutuações significativas nos mercados.
O diretor também comentou sobre as previsões de uma grande safra brasileira para 2026, contestando a noção de que há um excedente no mercado. De acordo com ele, só nos três primeiros meses do ano-safra atual, cerca de 16 milhões de sacas foram destinando tanto ao mercado interno quanto às exportações. Carvalhaes enfatizou que o Brasil precisa continuar a suprir uma parte significativa do consumo mundial até que a próxima safra entre em produção, e que os estoques atuais são normais para esse período.
Ele mencionou que os produtores brasileiros estão comercializando com cautela e em etapas, estratégia acertada para o cenário atual. Ele citou que, em agosto, os embarques foram próximos a 4 milhões de sacas e que espera volumes similares em setembro, com um consumo doméstico em torno de 1,7 milhão de sacas por mês. A estratégia de venda escalonada é ainda mais crucial em meio à volatilidade internacional, altos custos e incertezas sobre a próxima produção no Brasil.
"Quem acredita que há café sobrando vai perceber que esse não é o caso", afirma Carvalhaes. Ele ressalta que persiste a incerteza sobre a safra seguinte, sendo essencial monitorar as novas floradas, o desenvolvimento das flores já abertas, e as condições climáticas nos meses de outubro, novembro e dezembro.
Além disso, a preocupação climática permanece como um dos pilares de sustentação em Nova York, especialmente com previsões de tempo mais seco em Minas Gerais durante um ponto crucial para as floradas.
Outro fator mencionado por Carvalhaes é o comportamento dos estoques certificados na ICE. Ele notou que, mesmo com o início das safras na Colômbia e América Central, não houve uma recuperação significativa nos volumes, o que indica uma disponibilidade reduzida de cafés de qualidade superior. Os estoques certificados de arábica caíram em setembro a níveis que não eram vistos há cerca de 27 anos, embora tenha havido alguma recuperação subsequente. Um ingresso de café brasileiro nos armazéns poderia aliviar essa restrição, permanecendo no radar dos operadores.
Carvalhaes também acredita que a diferença de preços entre cafés de alta e baixa qualidade será mais acentuada nesse período de entrada da safra, embora cafés de qualidade inferior também serão absorvidos conforme a demanda do mercado global.
Diante deste cenário, ele recomenda que os cafeicultores monitorem suas necessidades financeiras e aproveitem as oportunidades de venda, evitando assumir altos custos apenas para estocar o café. A venda escalonada é uma estratégia prudente e deve ser mantida até março, quando será possível obter uma visão mais concreta sobre o potencial da próxima safra no Brasil.
Assim, para o mercado, a expectativa continua a ser de grande volatilidade, com altos expressivos intercalados por correções significativas. O equilíbrio frágil entre os estoques limitados, incertezas sobre o clima no Brasil, uma demanda global robusta e dúvidas sobre a real magnitude da oferta garantem suporte para os preços. No entanto, uma safra maior no Brasil, a eventual recomposição de estoques certificados e as flutuações do dólar seguem sendo fatores de pressão. "Essa instabilidade nos preços é algo que permanecerá", conclui Carvalhaes.