Chicago registra quase 6% de perdas nos futuros do milho
Chicago registra quase 6% de perdas nos futuros do milho
Analista aponta possibilidade de recuperação na CBOT, mas vê pressão nos preços da B3
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam a sexta-feira (2) em território negativo, resultando em uma semana marcada pela intensa pressão após a liberação dos dados sobre os estoques trimestrais nos Estados Unidos, que superaram as previsões do mercado.
Os preços do grão recuaram novamente nesta sexta-feira após uma leve tentativa de alta na sessão anterior. O mercado continua processando as informações anunciadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que revelou estoques de milho nos Estados Unidos totalizando 2,095 bilhões de bushels em 1º de setembro — um aumento de 35% em relação ao ano passado e o maior volume para essa data desde a safra 2018/19.
De acordo com Luiz Fernando Gutierrez, Coordenador de Inteligência de Mercado na Hedgepoint, os estoques acima do esperado resultaram em uma maior disponibilidade para a safra 2026/27, levando à liquidação de posições compradas em Chicago. Apesar da recente pressão, o analista acredita que o cenário ainda possui fatores que podem dar suporte, especialmente devido à elevada demanda pelo milho americano e a uma produção inferior à registrada na safra anterior.
Nas vendas semanais, os Estados Unidos reportaram exportações de 536 mil toneladas, uma queda de 36% em relação à semana anterior e o menor volume até agora no ano comercial 2026/27. Em contrapartida, o USDA também anunciou na sexta-feira uma nova venda de 218,6 mil toneladas de milho ao México, com entregas previstas para as temporadas 2026/27, 2027/28 e 2028/29.
Esperanças de revisões na produção estão entre os aspectos que o mercado monitora atentamente, com foco no relatório de oferta e demanda do USDA agendado para 9 de outubro, que poderá trazer novas alterações nas projeções do grão. Gutierrez ressalta a possibilidade de uma recuperação dos preços, dependendo de eventuais correções negativas nas estimativas de produtividade e produção dos EUA.
Na sessão de sexta-feira, o vencimento de dezembro/26 foi cotado a US$ 4,97, com uma desvalorização de 4,50 pontos; o contrato de março/27 foi negociado a US$ 5,11, com uma perda de 5,25 pontos; o maio/27 foi vendido a US$ 5,18, com uma baixa de 5,25 pontos; e o julho/27 teve preço de US$ 5,22, com queda de 5,25 pontos.
Ao longo da semana, os contratos norte-americanos sofreram desvalorização de 5,77% para o dezembro/26, 5,62% para o março/27, 5,51% para o maio/27 e 5,21% para o julho/27.
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Comparando com a sexta-feira anterior (25), os contratos de milho acumularam quedas acentuadas em Chicago. O dezembro/26 havia encerrado a semana anterior a US$ 5,2825 por bushel e finalizou esta sexta-feira a US$ 4,9775 por bushel, abaixo do patamar de US$ 5,00. O contrato também registra um recuo próximo a 9% desde o pico de três anos de US$ 5,4950 por bushel, alcançado em 2 de setembro.
Cenário no Brasil
No Brasil, o mercado também sente os impactos das perdas em Chicago nos últimos dias, mas se beneficia do aumento da demanda interna, especialmente pela maior produção de etanol de milho.
Gutierrez observa que o aumento do consumo nacional diminui a dependência do Brasil em relação às exportações para equilibrar a oferta e a demanda. Entretanto, o desempenho das exportações tornou-se um dos principais focos de atenção para os próximos meses.
De acordo com o analista, as exportações brasileiras estão cerca de 3 milhões de toneladas abaixo dos números registrados no mesmo período do ano anterior. Em decorrência desse cenário, a projeção que anteriormente indicava embarques entre 42 e 43 milhões de toneladas foi revisada para cerca de 38 milhões.
Dentre os fatores que contribuem para essa situação, a maior competitividade do milho argentino, que concorre com o produto brasileiro em diversos mercados, e a diminuição das compras do Irã se destacam. Com a continuidade do ritmo mais lento das exportações, Gutierrez alerta para a possibilidade de aumento nos estoques no Brasil, o que poderia resultar em pressão adicional sobre os preços nos meses seguintes.
O cenário de comercialização também se destaca. As vendas da safrinha 2025/26 estão cerca de 10 pontos percentuais atrasadas em relação à média nacional, enquanto os produtores estão se afastando diante das quedas recentes nos preços e focando no plantio da soja, além da definição da janela da segunda safra de milho.
Na B3, os contratos futuros do milho encerraram a sexta-feira, em sua maioria, no vermelho. O novembro/26 caiu 0,72%, negociado a R$ 71,67; o janeiro/27 recuou 0,20%, valendo R$ 76,35; e o março/27 teve uma perda de 0,08%, com preço de R$ 79,15. O maio/27 ficou estável em R$ 77,95.
No acumulado da semana, as novas perdas relevantes na bolsa brasileira foram notadas, especialmente entre os vencimentos mais próximos. O novembro/26 diminuiu 5,09% em comparação aos R$ 75,52 da sexta anterior, o janeiro/27 caiu 3,84%, o março/27 perdeu 3,12%, o maio/27 cedeu 2,13%, e o julho/27 apresentou uma baixa de 1,28%.
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No mercado físico brasileiro, a sexta-feira foi caracterizada por estabilidade na maioria das regiões analisadas pelo Notícias Agrícolas, embora algumas áreas apresentaram desvalorizações, notadamente em Ubiratã/PR, Marechal Cândido Rondon/PR, Cândido Mota/SP, Oeste da Bahia/BA e Sorriso/MT.