Levantamento revela frequência alarmante de violência política
Um estudo novo realizado pela Agência Pública demonstra uma preocupante situação de violência política no Brasil. Entre 12 e 28 de setembro de 2026, foram documentados 11 casos de agressões a candidatos, o que equivale a um incidente a cada 37 horas, durante os 17 dias de campanha. A maior parte das ocorrências envolve agentes de segurança, com seis dos 11 casos (54,5%) apresentando esses indivíduos como responsáveis.
No último dia 12 de setembro, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a candidatura de Fernanda Klitzke, advogada e candidata a suplente na chapa de Décio Lima (PT) ao Senado, foi ameaçada. Depois de uma reunião política, ela foi abordada pela Polícia Militar, que respondeu a reclamações de vizinhos sobre o barulho. Após se identificar como advogada, Fernanda foi agredida, sofriu um mata-leão, foi derrubada e, eventualmente, acabaram usando tiros de borracha contra ela. Após a detenção, ela recebeu cuidados médicos.
Este levantamento da Pública revela um aumento notável na violência política em comparação a um estudo prévio, que registrou 354 casos no período entre o final das eleições de 2024 e agosto de 2026, o que gerava uma taxa de uma ocorrência a cada 44 horas. Este último foi descrito como o período pré-eleitoral mais violento da história da pesquisa.
Além disso, em 2025, ano sem eleições, 225 casos foram registrados, evidenciando que a violência política permanece mesmo fora do calendário eleitoral.
No âmbito das intimidações, foram encontrados três episódios sem agressões físicas, mas sim ações de intimidação a candidatos em São Paulo e em Pernambuco. A deputada Rosa Amorim (PT) e a vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) foram incomodadas enquanto distribuíam panfletos em frente ao Instituto Federal de Pernambuco, e tiveram seus materiais descartados por seguranças. Outro exemplo é o caso do candidato a deputado estadual Júnior Freitas (PSOL), que se deparou com um segurança que afirmou que sua atividade de campanha era proibida em uma praça pública.
Esses eventos revelam uma configuração preocupante de intimidações, com o jurista Alberto Rollo ressaltando que, mesmo não sendo violentas, essas ações violam o Código Eleitoral ao tentar impedir a propaganda política. A presença da PM nas campanhas levanta questões sobre possíveis ordens superiores ou falta de conhecimento das leis.
Eduardo Suplicy, ex-senador e deputado em busca de reeleição, pediu uma ação conjunta contra essa situação. Ele reforça que é essencial denunciar essas ocorrências tanto à corregedoria da PM quanto ao Ministério Público. A violência, indica a pesquisa, não se limita somente a ações físicas, mas abrange também uma série de abusos, que afetam diretamente o processo democrático no Brasil.
Por fim, a pesquisa identificou que a maioria das vítimas de violência política são mulheres, e um número significativo delas é negra, evidenciando traços racistas e de gênero nas agressões. Em Belo Horizonte, Iza Lourença (PSOL) foi alvo de um ataque em seu comitê, e evidências mostram envolvimento de grupos organizados, destacando um cenário tenso e perigoso frente ao próximo pleito eleitoral.