PF pede cooperação ao MJ para investigar "Dark Horse"

Nesta sexta-feira (9), a Polícia Federal (PF) formalizou um pedido ao Ministério da Justiça e Segurança Pública para que haja cooperação com os Estados Unidos a fim de rastrear os valores enviados pelo Banco Master ao fundo Havengate, supostamente para financiar a cinebiografia "Dark Horse", que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A documentação foi encaminhada ao DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional) por volta das 12h. Esse departamento é responsável por acionar o Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT) com os EUA, que está em vigor desde 2001 e facilita a colaboração nas investigações e processos judiciais. Antes de solicitar formalmente, o DRCI deverá analisar a documentação, o pedido feito pela PF e sua tradução, podendo encaminhar a solicitação às autoridades americanas na próxima semana, caso tudo esteja em conformidade. A CNN apurou que a equipe do MJ pode também avaliar se o tratado com os EUA é o mais apropriado ou se há necessidade de recorrer a outro acordo internacional para avançar na investigação da PF. Este é o primeiro pedido de colaboração da PF ao MJ no contexto do caso Dark Horse, embora os investigadores possam já ter demandado apoio na área de inteligência. A PF conduz duas investigações relacionadas ao financiamento do filme. A primeira, sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, do STF, foi autorizada em 22 de julho e investiga o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, por supostas práticas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. O site Intercept Brasil divulgou em maio um áudio em que o filho do ex-presidente solicita recursos a Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, para o financiamento do filme. O senador tratou diretamente com Vorcaro um repasse de US$ 24 milhões. Documentos da apuração mostraram que entre fevereiro e maio de 2025, foram realizadas seis transferências bancárias totalizando pelo menos US$ 10,6 milhões para o projeto. O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e mencionado como operador financeiro de Vorcaro, afirmou em delação que fez sete transferências ao Havengate Development Fund, que está baseado nos Estados Unidos e é vinculado a um advogado que representa o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. A PF investiga se parte do dinheiro destinado ao filme foi desviada para ajudar Eduardo nos EUA, embora o ex-deputado tenha negado ter recebido valores de Vorcaro ou do fundo. O segundo inquérito, sob a supervisão do ministro Flávio Dino, investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares para financiar o filme da Go Up.