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Agro

Retenção de Fêmeas e Confinamento Reduzem Oferta de Gado no Brasil

Redação · 20 de set. de 2026, 13:05
Retenção de Fêmeas e Confinamento Reduzem Oferta de Gado no Brasil

Processo de Retenção e Virada de Ciclo Pecuário

Dados apresentados no 6º Fórum Pecuária Datagro indicam que a oferta de gado para abate no Brasil começou a ficar mais restrita devido ao avanço da retenção de fêmeas pelos pecuaristas. A redução do abate de matrizes é mais expressiva em estados com forte vocação para a atividade de cria, como Rondônia, Pará, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Em contrapartida, regiões como Mato Grosso e São Paulo registram quedas mais sutis, comportamento atrelado à presença expressiva dos sistemas de confinamento.

A consultoria projeta que esse movimento de retenção acelerará a recomposição do rebanho bovino nacional a partir de 2027. A estimativa aponta para a produção de aproximadamente 50 milhões de bezerros nesse período — volume próximo ao recorde de 2023 —, mesmo contando com cerca de 3 milhões de matrizes a menos, impulsionado pela produtividade e retenção de novilhas.

Desafios para o Confinamento e Pressionamento de Custos

Enquanto a atividade de cria se fortalece, o setor de confinamento enfrenta margens operacionais mais apertadas decorrentes da elevação dos custos de reposição:

  • Custo de Reposição: Cerca de 80% do custo total da terminação em confinamento é composto pela compra dos animais de reposição. Como o preço do boi gordo pronto para o abate apresenta patamar inferior em relação ao custo do animal jovem, a margem de lucro dos confinadores é comprimida.
  • Expansão da Capacidade: A rápida expansão dos confinamentos brasileiros — com unidades saltando de 40 mil para até 140 mil cabeças ao ano — superou a capacidade de oferta imediata do ciclo pecuário.
  • Investimento de Longo Prazo: Apesar das restrições no crédito para capital de giro e reposição, o setor mantém aportes direcionados à genética e sêmen para sustentar a expansão do rebanho.